Essa Fanfic foi escrita por mim e é nada mais que uma homenagem ao
trabalho maravilhoso de Stephenie Meyer e à essa saga que todos nós
amamos.
Clique Aqui para voltar ao home do Rising Sun
Capítulos 
Se gostaram da Fic, divulguem para outros fãs da saga! Bjos, Anna Grey!
Capítulo 26 – Pacto
- Vocês dois podem parar de discutir como um casal de velhas? –
Retorqui. Aqueles dois discordavam em tudo e nem Willian nem Alec era
suficientemente razoável para admitir seus erros. Os dois olharam para
mim, Willian contrariado, Alec envergonhado. Era difícil de acreditar,
mas eu sentia um carinho desproporcional ao tempo que os conhecia,
especialmente Willian. Ele era um rapaz encantador, e não só por sua
beleza inumana. Havia nele alguma coisa... Alguma força invizível que
atraía as pessoas, despertando nelas sentimentos variados. Em boa parte
delas, Willian só conseguia despertar raiva, mas eu sentia por ele um
amor fraternal, algum tipo de ligação que se estabelece quase que
imediatamente, eu agora queria tê-lo sempre comigo, como um irmão mais
velho. Já Alec, bem... Alec era um assunto mais delicado. Diferente de
Willian, ele não me olhava com olhos amigáveis ou de simpatia. Alec, em
todo seu mistério e seriedade, conseguia me fazer temer diante do que
via emanar dos olhos dele. Aqueles olhos ao mesmo tempo poderosos e
frágeis. E também havia a inegável atração que eu sentia por ele, um
sentimento um tanto turvo e confuso para mim, mas que me fazia desejar
estar perto dele e me preocupar de uma forma quase impensável por sua
vida e segurança. Se um dia tudo aquilo terminasse, eu sabia, como sabia
que as estrelas estavam agora brilhando no céu, que Alec sempre estaria
em meu coração e pensamento.
Suspirei, sentindo o peso de tantas coisas pairando sobre minha cabeça,
sentindo inúmeras coisas emergirem em mim, sentimentos, medos, paixões,
coisas que eu definitivamente teria que suportar e lidar sozinha. E
aquela sombra densa, que ameaçava me engolir a qualquer momento, ainda
estava alí, ao meu lado o tempo todo. O abismo gelado que se abriu em
meu peito, permanecia silencioso dentro de mim, esperando o momento
certo para me fazer sucumbir. E isso certamente aconteceria se eu jamais
os visse de novo, se perdesse todos os motivos pelo qual vivi e me
forçei a sobreviver até este momento. Tanto pelo que lutar, e quase
nenhuma força restando em mim...
- Ei, você está bem? – Perguntou Willian naquele seu tom habitual,
tentando disfarçar a preocupação de sua voz. Olhei para ele, e depois
para Alec. Algo precisava ser feito antes que eles começassem a discutir
de novo, e eu não tinha tempo para me lamentar. Não agora que a sorte
estava um centímetro mais a meu lado.
- Estou bem, mas sabe de uma coisa? Vou ficar melhor ainda se pararem de
brigar. Agora Willian, conte-me o que esteve fazendo desde que Aro o
trouxe aqui, qualquer detalhe é importante. E Alec, conte-nos o que sabe
sobre os planos de Aro e sobre Alice, onde ele está mantendo ela. – Os
dois me encararam mudos por um momento. – Como é, desembuchem. – Willian
bufou, mas sentou-se a minha frente, cruzando os braços sobre o peito.
- Aro me encontrou na Rússia, onde eu estava morando atualmente. Eu não
esperava que ele estivesse na minha cola ainda, não depois de tanto
tempo. Ele mandou, Félix, Heidi e Jane atrás de mim. Eu estava de guarda
baixa, não esperava que ele ainda estivesse tão obstinado assim por meus
poderes, e em geral sempre cubri bem meus rastros. Bem, resumindo, fui
trazido até aqui sem saber nada a respeito do que tinha acontecido em
Forks e nem que Aro estava tão desprestigiado com nossa espécie. Se
tivesse ficado ciente do motim que vocês armaram, eu certamente teia
aparecido. – Willian riu, mas algo em sua voz soou nervoza. Olhei bem
para ele, o que o deixou constrangido. Eu tinha a sensação de que ele
não estava contando tudo.
- Ok, vejamos se entendi. Aro demorou trezentos anos para te achar, para
sequer achar uma pista sua, e de repente você relaxa sua guarda e é
facilmente trazido até Volterra para cumprir ordens dele? – Willian
desviou o olhar, seu rosto torceu-se numa expressão indecifrável.
- Conte a ela Willian, não há nada demais nisso. – Resmungou Alec, seu
rosto perfeito completamente absorto nos detalhes da parede a sua
frente. Willian o encarou.
- Não se meta na conversa seu almofadinha. – Falou Willian entredentes.
Ele olhou para mim, meio constrangido e disse, suspirando:
- O nome dela é Lavínia. Nos conhecemos há dez anos na França, ela era
só uma menina de dezessete anos na época, hoje é uma mulher linda.
- O-oquê? – Gaguejei.
- Sim, ela é humana. – Encarei-o perplexa. Willian se apaixonou por uma
humana. Deus do céu, eu sabia melhor do que ninguém o sofrimento que
isso causava em criaturas como nós.
- Mas você... Você não... O sangue, sabe...
- É difícil sim, admito, mas com o tempo eu me acostumei. E ela é tão
linda, tão delicada... – Senti a adoração fluir na voz rouca dele, eu
entendia perfeitamente como ele se sentia.
- E ela sabe sobre você? – perguntei.
- Sim, ela sabe de tudo. – Respondeu ele encarando o chão. Ficamos em
silêncio por algum tempo e em minha mente as coisas se encaixaram de uma
forma perturbadora. Aro estava usando Lavínia para obrigar Willian a
ficar e usar seus poderes para acabar com cada um de nós. Esse era o
estilo de Aro, o faro para pressionar o ponto fraco de cada um.
- Ele ameaçou matá-la? – Perguntei.
- Sim, e pelas regras tolas dele, isso não seria nada além que uma
punição, afinal, ela é uma humana que conhece nosso segredo. – Disse ele
taciturno. Eu vi o ódio brilhando em seus olhos vermelhos e isso fez
algo vir a minha mente.
- Ela não se importa? Você sabe, do sangue. Pelos seus olhos dá pra
perceber que a dieta vegetariana não faz seu tipo. – Não disse isso a
ele como uma acusação, e ele compreendeu bem o que quis dizer, olhou-me
tranquilamente e disse:
- Eu ainda sou a criatura que se odeia por ter que tirar vidas, mas eu
também permaneci o homem que não fere inocentes. Lavínia sabe disso e me
acha algum tipo de herói. – Ele sorriu sem nenhuma alegria em seus
olhos. – Eu sei que me alimentar de assassinos, estupradores,
traficantes e todo tipo de escória não faz de mim um ser melhor, mas faz
eu me sentir menos culpado, livrando o mundo desse tipo de gente. Quem
sabe um dia eu não resolva adotar o vegetarianismo também hein. –
Brincou, dando uma piscadela. Sorri para ele, encorajando-o, embora eu
mesma não fosse um modelo de fidelidade a causa.
- Eu só não entendo como conseguiram localizar você. – Perguntei mais
para mim mesma do que para ele. Willian surpreendeu-me com uma resposta
imediata.
- Ah mas eu sei exatamente. Aro nunca deixou de me procurar, mesmo sendo
frustradas todas as suas tentativas de me localizar, ele nunca parou. Eu
nunca fiquei num mesmo lugar mais que uma semana, e bem, quando conheci
Lavinia na França, eu me demorei por lá uns bons três anos. Depois disso
fomos juntos para Russía e Lavinia adorou o lugar. Comprei uma casa
grande, do jeito que ela queria, e vivemos lá sete anos, e foi lá... O
maldito rastreador de Aro me encontrou lá. Quando eu sentia alguma
presença de nossa espécie eu tratava de inibir seus poderes logo, mas a
Russía... Você não acreditaria na quantidade de vampiros que vivem por
lá. Eu encontrei dezenas deles nos anos que passei em Moscou. Alguns de
passagem, alguns poucos estabelecendo-se nas periferias da cidade.
Durante os primeiros anos eu ficava alerta vinte e quatro horas,
“desarmando” todos que se aproximavam demais. Mas depois de alguns anos
eu relaxei, droga, eu realmente pensei que Aro tivesse me esquecido.
Quando Félix, Heidi e Jane se aproximaram de mim, eu só pude sentí-los
no último momento. Mas Aro foi esperto, eu conhecia muito bem o cheiro
de Demetri, por isso ele não o mandou. Se Demetri tivesse se aproximado
eu teria sido capaz de pegar Lavinia e me mandar de lá. Mas ele mandou
Félix, por quê infelizmente meus poderes só funcionam com os dons, não
surtem efeito algum com a força bruta. Neutralizei Jane na mesma hora,
mas não pude fazer nada contra Félix, por quê a única coisa que aquele
alí sabe fazer é desmembrar, morder, socar... Jane a pegou enquanto eu
lutava com Félix, e bem, o resto você já sabe. Transmitiram-me a
“oferta” de Aro e a única coisa que pude fazer foi me render, não
suportaria vê-la morrer. – Willian me olhou, seus olhos grandes e
infantis me encararam com um pedido de desculpa pelo que ele teve que
fazer. Eu acenei para ele, tentando confortá-lo, tentando dizer que eu
entendia. A cada nova parte que se encaixava em minha mente, eu sentia o
ódio transbordando um pouco mais dentro de mim, e curiosamente esse ódio
apenas me deixava mais fria. Sentia meu corpo fraco pela falta de
sangue, mas meus músculos estavam retesados, eu não conseguia relaxar
minha mandíbula. Meus nervos estavam no limite, não sabia o quanto mais
poderia suportar antes de enlouquecer de vez. Se não fosse pela voz
calma e ponderada que sussurrava para mim no fundo de minha mente, eu
certamente teria surtado. Ela ficava me dizendo para ser forte, para não
desistir de lutar, e eu dizia a ela: “eu não posso mais, não consigo
mais...” Mas de alguma forma eu estava aqui, ainda de pé, ainda
resistindo. Se todos caíssem, se tudo fosse exterminado, eu ainda
estaria de pé. Até que meu coração pare de bater, era o que ele dizia.
O silêncio nos tomou mais uma vez, eu ouvia o leve farfalhar da
respiração de Alec, sentado a meu lado, enquanto meu próprio coração
trabalhava num ritmo cadenciado, enchendo o quarto com um som ritmado e
constante. As velas eram apenas tocos diformes, pendendo nos castiçais
de prata. Obriguei-me a quebrar aquele silêncio que nos cobria como um
véu.
- O que Aro te pediu quando você chegou aqui Will? – Willian me encarou
surpreso. Eu não sabia se era pela súbita quebra do silêncio ou se era
pelo apelido informal que eu o chamara.
- Bem, eu estava muito louco de ódio. Foi tudo terrivelmente repentino
para mim, ver esse lugar, andar novamente por esses corredores... A cada
minuto que passo aqui eu ouço a voz dela me chamando, ouço as chamas
consumirem o quarto dela, e o cheiro acre de seus restos queimando. Foi
terrível voltar. Foi terrível encarar meu pai depois de tanto tempo, e
ver que ele ainda é a casca oca vivendo na sombra de minha mãe,
lamentando a ausência dela e minha traição por toda eternidade. Mas eu
não tive escolha, tive que fazer um acordo com Aro pela segurança de
Lavinia. Fiz ele trazê-la até aqui, onde eu podia ficar de olho nela,
para certificar-me de que nada aconteceria a ela. E em troca eu faria o
serviço. – Ele parou.
- Que serviço Will? – Perguntei impaciente. Ele suspirou e disse:
- Aro me entregou uma lista com dezesseis nomes. Eu teria que sair em
busca daqueles imortais com Demetri e Félix e bem, fazer o meu truque
mágico, se é que me entende. Mas além disso eu teria que ficar de olho
em sua família, especialmente na vidente. Ela era a prioridade. Teria
que bloqueá-la noite e dia. Imagina o quão difícil foi isso? Eu nem ao
menos tinha a visto uma vez sequer, por isso precisamos nos aproximar,
para que eu a sentisse... Como posso explicar? Olhe, entenda, é como se
eu pegasse o “teor” dos dons de um imortal e o suprimisse. Mais ou menos
como sentir o gosto dos poderes de alguém e simplesmente diluí-los. E
foi isso que fiz com a vidente, depois com seu pai e sua mãe, e por
último com o loiro das cicatrizes. – Explicou Willian. Busquei em minha
mente as memórias que comprovavam aquilo.
- Lembro-me de uma certa inquietação de Alice há alguns anos. Lembro-me
dela falando das visões que tinha com Aro, mas que pareciam fora de
ordem, como se fossem repetições que voltaram para ela borradas e
desconexas. Alguns dias depois ela disse que as visões tinham parado,
simplesmente sumido. Ela só via coisas banais do dia a dia, como por
exemplo o dia em que minha mãe e meu pai resolveram sair em uma segunda
lua de mel. Alice estragou a surpresa deles, estava anciosa demais com a
falta de novidades em suas visões. – Aquelas lembranças me machucavam
mais do que eu deixava aparentar. Willian acenou, ponderando.
- Bem, a “interferência” inicial foi apenas minha presença. É uma coisa
irritante, mas eu funciono como uma estação pirata ambulante. Mesmo
quando não estou direcionando meus poderes a alguém, eu ainda interfiro
um pouco, enfraquecendo ou falhando os poderes dos que estão a minha
volta. Alec poderia tentar te cegar agora, e tudo que conseguiria fazer
é embaçar sua visão, deixá-la turva. Quando consegui me aproximar e
sentir o poder da vidente, eu cortei todas as visões dela e aos poucos
fui liberando apenas uma parcela de seu poder. Seu pai não poderia ler
minha mente tampouco, eu fico invisível a esse tipo de poder, por isso
Aro me odeia tanto, telepatas ficam impotentes em minha presença. –
Explicou ele. Eu escutava tudo com atenção total, até me esqueci por um
momento de Alec ao meu lado. Ele estava silêncioso, era difícil saber se
nos ouvia e se estava vagando, absorto em seus próprios pensamentos.
- Entendo. – Murmurei, sentindo as coisas se encaixarem em minha mente.
Sem desanimar, continuei:
- E Zafrina? Por quê ela está aqui? – Olhei de Willian para Alec, os
dois se entreolharam durante um momento, então Willian falou:
- Depois que neutralizei os poderes da vidente, a primeira coisa que Aro
fez foi me mandar com Demetri atráz da amazona. – Willian parou,
lançando um olhar taciturno para Alec.
- Mas por quê ela é tão importante para Aro? – Perguntei, seguindo o
olhar de Willian para o rosto desconfortável de Alec. Ele olhou para
mim, demorando-se um pouco em meus olhos e disse:
- Ela a quer Nessie – Suspirou. – Ele a quer como quer Alice. E ele as
têm agora. – Porquê eu sentia que aquilo não me surpreendia? Alec
continuou: - Aro é um colecionador, primeiro foi Jane e eu, depois
Demetri. Alguns anos depois Renata. Exceto Willian, todos que Aro
desejou ter, ele teve. Até que encontrou Alice e percebeu que ele a
queria como não quis ninguém desde Jane e eu. Então ele viu você, uma
criança imortal, metade humana, metade vampira. – Os olhos de Alec
faíscaram em mim, como se ele próprio entendesse o desejo que ele mesmo
tentava explicar. – Aro nunca viu nada tão surpreendente. Em todos os
séculos que viveu, jamais pensou que encontraria alguém como você. A
idéia o inebriava. E mesmo assim, você estava além do alcance dele.
Longe dos planos que ele mesmo compôs sozinho enquanto meditava em seu
trono, noite após noite. Ele precisava tê-la, precisava ter Alice, mas
nada jamais foi tão intocável para ele. Vocês estavam tão além dos
poderes dele. Quando saímos de Forks aquela manhã, nem a neve que cobria
o solo era mais fria que o olhar de Aro. Ele fora derrotado, e não
aprovou o gosto. Toda corte assistiu sua derrota, a batalha que ele
travou sozinho apenas para conseguir uma pequena peça para compôr sua
coleção. Mas Aro saiu de lá sem Alice, e com seus desejos multiplicados.
Ele queria você também, seu pai viu isso na mente dele, por quê eu mesmo
pude ver nos olhos dele. Durante todo o caminho me perguntei se minha
vida valia a pena ser vivida daquela forma. Uma peça no grande tabuleiro
de Aro. Matando por ele, tirando vidas e destruindo existências.
Desmembrando clãs inteiros apenas para que ele tivesse mais uma iguaria
em seu poder. E depois veio os anos seguintes, e toda caça as bruxas que
Aro iniciou. Um por um eles os caçou, todos que se atreveram a
testemunhar a seu favor, contra ele e seus desejos irrefreáveis,
servindo-se do pretexto de que vocês espalhariam a discórdia em nosso
mundo. Nesses sete anos, foram poucas as vezes que voltei para casa. Eu
fui da América do Sul ao Egito, depois para o norte, para a Irlanda e de
lá para Romênia. Cruzamos toda Europa atráz de nômades e seguimos para
América, indo até as terras geladas do norte do Canadá. Minhas últimas
ordens foram sua captura e escolta até aqui. – Alec parou, encarando
novamente o vazio. Eu me sobressaltei com o discúrso dele. Havia dor
naquelas palavras, havia descontentamento com ele mesmo, como se ele
sofresse queimaduras internas. Lembrei-me das palavras dele no
esconderijo no qual nos conhecemos. Ele disse que estava cansado da
falta de propósito na qual ele tinha vivido toda sua vida. Usado por Aro
desde que era apenas uma criança. Uma arma desde sempre. Apesar dele ter
me tirado de minha família, eu não conseguia me obrigar a odiá-lo, não
conseguia culpá-lo pelo que estava me acontecendo. Ele fora criado para
cumprir ordens, para ser o que era, o que mais eu poderia dizer? Não era
culpa dele...
- Bem, agora eu entendo muito melhor as coisas que aconteceram.
Principalmente como os poderes de Alice e de meu pai não foram capazes
de nos alertar sobre o perigo. – Falei, sentindo uma grande lacuna se
preencher dentro de mim. Eu tinha que reconhecer que o plano de Aro era
praticamente sem falhas, contudo...
Willian me observava silencioso, assim que surpreendi seu olhar me
perguntei o que ele pretendia me ajudando.
- Por quê está fazendo isso? – Ele parecia já esperar a pergunta, pois
sorriu levemente sem nenhum humor e disse:
- Acha mesmo que vou deixar Aro me usar? Acha que não fiz nada além de
seguir as ordens dele durante todo esse tempo? – Perguntou, suas
sobrancelhas arqueando em sua testa perfeitamente lisa. – Eu começei a
agir assim que cheguei aqui. Eu cresci nesse castelo, conheço tudo aqui,
tratei logo que traçar uma rota de fuga e assim que conseguir uma brecha
eu vou pegar Lavínia e me mandar. Mas para isso eu precisava esperar
você Ness. – ele sorriu-me. Estudei-o por um momento e disse:
- Até você me chamando assim? – Resmunguei. Willian deu de ombros
- Eu ouvi aquele transmorfo te chamando assim, você parecia gostar. –
Desviei meu olhar rapidamente, tentado conter minha cara de nada e
consequêntemente ví a expressão perturbada de Alec. Forçei a conversa a
continuar para me salvar daquele desconforto.
- O que quer dizer com “precisava esperar por mim”? – Perguntei.
- Eu sabia que Aro ia te trazer pra cá e fazer todo o joguinho do
“julgamento” pra ver se você cedia e ficava por aqui mesmo. E eu, bem,
eu sabia que você ia mandar ele tomar naquele lugar. De início você não
estava nos meus planos, mas depois do que aconteceu com Félix e Heidi...
- Você viu aquilo? – Perguntei perplexa.
- Eu estava com eles, fiquei esperando eles voltarem no nosso ponto de
encontro, mas quando vi que eles estavam demorando demais, eu fui dar
uma olhada no terreno. Encontrei as piras ainda acessas e você cuidando
do cara todo arrebentado. Aí eu pensei que nós poderíamos unir forças,
simpatizei com você. Você se parece muito comigo, fala o que quer e
peita todo mundo, e o principal. Não tem medo de Aro. – Willian sorriu,
e eu senti uma coisa estranha emanando dele. Nós imortais nossos muito
sensitivos, muito abertos para esse tipo de coisa, e o que senti em
Willian naquele momento era genuíno. Era um tipo de carinho fraternal
mesmo, como se ele realmente se importasse comigo.
- Não seja idiota, ela não é nem de longe tão irritante quanto você, e
também não é tão convencida ao ponto de se achar o máximo. – Resmungou
Alec mau humorado.
- Olha quem fala, o principesinho de Aro. – Rebateu Willian.
- Eu não sou nada de Aro, e até onde eu me lembro, o príncipe aqui é
você Willian – Provocou Alec. Eu me vi novamente no meio da discussão.
Aqueles dois se pareciam muito com dois irmãos, implicando um com o
outro em qualquer oportunidade.
- Ei, já chega gente. – Falei, sendo completamente ignorada. – EU DISSE
QUE CHEGA! – Gritei. Os dois me encararam assustados, meus grito ainda
ecoando pelo quarto amplo e praticamente vazio.
- E depois Willian? – Perguntei após me acalmar do último surto. – O que
aconteceu depois?
- Bem, eu fiquei pensando num modo de me aproximar de você, de propor um
trato, mas você não acreditaria em mim e eu ainda corria o risco de
levar uma dentada. Então eu esperei e observei vocês, sempre escondendo
minha presença. Quando você ligou para sua família eu fui obrigado a
avizar Aro senão ele pensaria que eu estava traindo ele. Contei a ele o
que houve e Ness, ele ficou muito louco. Ele gostava de Heidi sabe, ela
distraía bem ele nas noites entediantes, e Félix, era o bulldog dele. Só
sei que as ordens foram claras como cristal. Ele estava mandando Alec
com um pequeno contingente da guarda para capturar você e sua família, e
eu deveria auxiliá-los, é claro, por quê sem mim os capangas de Aro não
chegariam nem três quilômetros perto de vocês. – Willian provocou,
encarando Alec pelo canto do olho. – Contudo, quando Alec se encontrou
comigo na floresta, ele me contou Aro queria que você e Alice fossem
levadas para Volterra enquanto o restante seria executado alí mesmo. –
Minha garganta se apertou, fazendo minha boca secar. Eu não consegui
encontrar a coragem para prosseguir, para pedir que Willian terminasse.
Tinha medo do que ouviria. Willian me observava, Alec não me olhava mas
prestava atenção em cada respiração descompassada que elevava meu peito
cada vez mais arfante. Observei o tempo passar em câmera lenta e as
chamas das velas se extinguirem em meio as sombras do quarto. A noite
estava silenciosa na superfície, nada se movia naquele quarto. Apenas as
chamas fracas das velas dançando e criando sombras vivas em nossos
rostos de pedra. Três seres imóveis conspirando no silêncio da noite, e
nada mais chegava aos meus ouvidos.
Pisquei, encarando minhas mãos inertes sobre minhas pernas. Podia ver a
palidez que se tornava cada vez mais pronunciada, a falta de sangue
esfriando minhas veias, deixando meus coração mais lento, apesar de
bater tão ruidosamente. As palavras dançavam em minha boca, embolando-se
num nó incapaz de ser desatado. Eu não conseguia falar.
Os dois vampiros a meu lado permaneciam mudos, imóveis. Estariam eles
lamentando minha perda? Respeitando o silêncio do meu luto? Era isso que
estavam querendo dizer com aquele silêncio gelado? Que eles estavam
mortos?
- Eles fugiram Ness. Eu deixei que fugissem antes de Alec e os outros
chegar. Foi um pandemônio dos infernos, mas eu tive que liberar os
poderes deles. Deixei que o grandão me derrubasse de propósito só para
ter um pretexto para dar a Aro. Ele sabe que não sou vulnerável a
pancada. Alec fez o que pode também. – Ele suspirou, contrariado por ter
que admitir a ajuda de Alec. – Não sei por quê, mas ele me ajudou. Cegou
todo mundo, até seus próprios guardas. Pegou você e a vidente e caiu
fora. Tive que correr atráz dele para não ser massacrado junto com os
outros guardas. Aquele lobo rasgou todo mundo, demoliu a casa inteira
atrás de você. Mesmo cego e surto o danado ainda arrancava cabeças –
Willian olhava-me aturdido, não sabia se o que dizia incitava ainda mais
minhas lágrimas, que brotavam de meus olhos como uma vertente de água e
sal. Eu não sei explicar o que sentia. Minha ampla educação não seria
capaz de me dar palavras para explicar a sensação de alívio que senti.
Era mais e mais correntes que se desprendiam de minhas pernas e braços,
mãos e pés.
- Infelizmente eu não sei dizer o que aconteceu depois que saímos de lá.
Ouvi mais tarde Aro ordenando aos guardas que sobreviveram que não
deixassem de seguir o rastro deles por nada, e em seguida mandou Demetri
para auxiliar nas buscas. Eles estão fugindo Ness, estão tentando
arrumar um jeito de vir atrás de você. É o que eu faria. – Willian pegou
minha mão, tentando conter meu choro desesperado. Alec apenas
observava-me apreensivo.
- E o que vamos fazer agora? – Perguntou Alec, a voz suave que nunca se
alterava. – Ela já sabe tudo que sabemos. – Ele trocou um olhar rápido
com Willian, em seguida voltaram-se os dois para mim, esperando que eu
decidisse o próximo passo. Pensei por um momento, tentando suprimir
dentro de mim a euforia que tomava-me como uma onda de águas mornas e
acolhedoras.
- Vocês precisam saber de algo também. – Disse, sentindo minha voz
embargada pelo choro. – Precisam saber a falha no plano de Aro, a brecha
pela qual nos vamos escapar. – Os dois olharam-me atentos. Eu enxuguei
meus olhos na manga da blusa de tecido fino que usava e senti a quimação
em minha garganta quando falei:
- Zafrina. Ela é a falha no plano de Aro. Foi por causa dela que eu fugi
de casa, pelas visões que ela me enviou, me avizando do perigo.
- O quê? – Perguntou Willian descrente.
- O importante é que ela já nos mostrou a falha no plano de Aro. –
Falei, ignorando a incredulidade de Willian. – Agora nos precisamos
encontrar nossa brecha. E nós vamos começar agora.
Capítulo 26 – pacto - Rising Sun a Historia
Seja Bem Vindo
Lua Nova Twilight! Desde 04/01/2009
Eclipse Tem Data de Estréia 30/06/10
Amanhecer Tem Data de Estréia
00/00/00









