Essa Fanfic foi escrita por mim e é nada mais que uma homenagem ao
trabalho maravilhoso de Stephenie Meyer e à essa saga que todos nós
amamos.
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Capítulos 
Se gostaram da Fic, divulguem para outros fãs da saga! Bjos, Anna Grey!
Capítulo 25 – A História do Herdeiro
- Minha mãe chamava-se Dydime, era a rainha Volturi naquela época,
quando Aro e Caius eram apenas conselheiros de meu pai. – Eu tinha
muitas perguntas nadando na superfície de minha mente, perguntas que só
se multiplicavam a medida em que Willian derramava suas palavras lentas
e pesarosas no silêncio daquele quarto escuro. Ele olhou para mim, os
olhos vermelhos cintilando como pérolas de sangue na penumbra e mais uma
vez foi como se ele lesse a confusão em meus olhos. Um sorriso pesaroso
brincou nos cantos de seus lábios, uma comoção constrangedora toldou seu
rosto tão jovem e bonito.
- Não sei ao certo por quê estou lhe contando essas coisas tão velhas e
inúteis, mas acho... Bem, talvez te ajude entender algumas coisas, ou
talvez não ajude em nada. – Ele suspirou. – Mas se quer ouvir, eu te
contarei tudo desde o começo. Quem sabe meu fardo seja um pouco
atenuado, o que eu duvido... Entenda, nunca contei isso a ninguém. – Não
sei muito bem o que me fez querer ouvir as histórias de Willian, ou
entender um passado tão remoto de sua vida, talvez eu quisesse apenas
não pensar em Jacob, não mais escutar sua voz me chamando. Talvez eu
estivesse com tanto medo de encarar a realidade, que qualquer oferta que
me protegesse, por poucos momentos, de toda minha dor, bem, eu aceitaria
grata.
- Quero ouvir sua história Willian. Por favor, conte-me. – Sussurrei,
com medo que minha voz falhasse e traísse o desespero que eu tentava
conter arduamente dentro de mim. Ele acenou lentamente com a cabeça,
como se procurasse uma forma de começar. Os cabelos castanhos cintilavam
na escuridão, a luz das velas sombreava seu rosto delicado e impetuoso.
- Minha história começou muito antes do dia em que nasci. Marcus, meu
pai, era o soberano dessas terras. Era um bom rei, protegia a cidade das
guerras e dos saqueadores, protegia o povo contra um mau que parecia
assolar toda Europa. De alguma forma Volterra era uma terra de paz em
meio a guerras infindáveis, pestes de todos os tipos e uma miséria que
se alastrava como o vento. O povo o amava, faziam comemorações e
festanças em sua homenagem, até hoje eles comemoram o Dia de São Marcus
pelas ruas de Volterra. Naquele tempo Aro e Caius eram os conselheiros
de meu pai, ele os considerava sábios e dignos de confiança, os três
viveram muitos anos juntos e por isso muitos pensam que eles estiveram
juntos desde o início, mas Marcus sempre foi o mais antigo dos três e o
governante de Volterra, por maior que fosse a amizade entre eles, meu
pai era o líder desse povo e de toda guarda imortal que ele criou para
proteger essa cidade e seus habitantes. Aro e Caius não concordavam com
a modéstia de meu pai, achavam os desejos dele pequenos. Tudo que ele
almejava era proteger o povo de Volterra dos perigos que nos cercavam, e
isso era muito pouco para Aro, principalmente. Contudo, ele nunca tentou
nada contra meu pai, era muito covarde para isso, apesar de ser o mais
talentoso em toda corte. Meu pai deu à ele o cargo de comandante da
guarda, em tempos de conflitos com nosso visinhos, era Aro quem ia
negociar a paz ou aplicar e punição e erradicação dos problemas. Numa
dessas viagens diplomáticas, Aro encontrou algo que ele realmente
cobiçou. Algo que, mais tarde, o ajudaria a tomar o poder. Jane e Alec.
– Ele pausou, desviando seu olhar das velas para meu rosto compenetrado.
– Naquele tempo, os gêmeos eram apenas crianças de cinco ou seis anos.
Aro não podia transformá-los, era terminantemente proibido dar a
imortalidade a crianças, então Aro esperou. Em segredo ele visitava os
gêmeos bruxos, como eram conhecidos em sua aldeia. Levava presentes para
eles, prometia coisas para eles, estava encantado com os poderes deles,
extasiado com a perspectiva de ter aqueles poderes ao seu alcance, a sua
disposição. Acho que já pode imaginar por quê Jane é assim, insolente e
arrogante. Os gêmeos cresceram rodeados pelos cuidados e mimos de Aro e
meu pai nada soube a respeito até o dia em que Aro os transformou. Mas
eu estou me adiantando. Nesse intervalo de tempo, quando Aro começou ter
suas idéias de dominação com os gêmeos, aconteceu outra coisa muito
importante. Minha mãe, Dydime, fez algo que colocou todos na corte em
risco. Ela roubou o bebê de uma pobre viúva que vivia mendigando nos
portões de Volterra, vendendo pêndulos e talismãs por preço de banana
para turistas e comerciantes para comprar pão e trigo nas feirinhas do
mercado. A mulher chamava-se Terezza, e era bem jovem na época. Gritou
enlouquecida pelo seu bebê roubado nas praças da cidade durantes vários
dias, até que Dydime a matou, para que não fosse descoberta. O povo logo
esqueceu o incidente e a pobre artesã. – Willian parou, seus olhos se
fecharam por um minuto. Ele inspirou uma golfada de ar e voltou seu
olhar cansado para mim.
- Fui criado como um príncipe por Dydime. Marcus me amou também, apesar
de ter desaprovado a atitude da esposa. Ela estava feliz, e isso o fazia
esquecer e perdoar qualquer atitude impensada dela. Marcus a amava
cegamente, fazia de tudo por ela, e Dydime era muito amargurada pelo
fato de não poder ser mãe, um filho era tudo que ela sempre quis de
Marcus, e a única coisa que ele não podia dar à ela. Eram parceiros a
tantos séculos, e noite após noite Dydime queixava-se por não ter um
filho. Era apenas questão de tempo até que ela tivesse a idéia que a
levou ao roubo e ao assassinato de uma inocente. Marcus fechou os olhos
para essa atrocidade, a felicidade de Dydime compensava qualquer ato
imoral. Justo ele, o rei da justiça e igualdade... – Willian escarneceu,
um sorriso amargo e maldoso cerrou seus lábios por um momento, me fez
lembrar do “velho” Willian. Ele continuou:
- Bem, como disse, fui criado como um príncipe. Dydime me ensinou a ler
e escrever em muitas línguas, ensinou-me artes e história antiga. Com a
ajuda de Sulpícia e Athenodora, as esposas de Aro e Caius, ela me educou
para ser um verdadeiro príncipe. Mas algo faltava em mim, eu sabia de
alguma forma que não era filho daquela mulher branca e rígida como
mármore polido. Eu olhava em minha volta e tudo que via eram rostos e
olhos que nada tinham a ver com os meus. Dydime não me deixava sair do
castelo, dizia que era perigoso para um príncipe andar entre o povo.
Cresci entre essas paredes de pedra, nunca tinha visto as pessoas da
cidade. Eu ouvia suas vozes altas e alegres ecoando nos pátios do
castelo, e desejava conhecê-los. A Festa de São Marcus era uma tortura
para mim, por quê eu ouvia as crianças correrem pelas ruas, ouvia o povo
cantar e festejar, e tudo que eu queria era poder vê-los. – Willian
parou, e por um momento o silêncio inundou o quarto, diminuindo seu
tamanho, fazendo tudo parecer menor. As sombras nas paredes dançavam ao
ritmo das velas, o cheiro da cera enchendo o ar. Minha mente estava
vazia. Eu ouvia as palavras de Willian e imaginava todas aquelas coisas
tão vividamente... Podia ver o jovem Willian encarcerado naquele
castelo, o único humano no covil dos demônios. Podia ouvir os ecos das
vozes vindas da praça central, as pessoas festejando o dia em que São
Marcus livrou a cidade da peste de sugadores de sangue. Sentia-me vagar
sem rumo por dentro daquela história que não era minha. Eu sentia a dor
dele refletir em mim...
- Aos quinze anos, meu pai contou-me no que eu iria me transformar
quando completasse dezoito anos. Disse que a imortalidade seria a
herança que ele deixaria para mim. Eu fiquei horrorizado quando ele
falou sobre o sangue, a matança inevitável, as vidas que eu teria de
tomar durante toda eternidade. Dydime estava lá quando me contaram. Ela
me olhava de um jeito... Como se eu fosse uma jóia preciosa, uma
relíquia de valor inestimável. Eu via nos olhos dela todos os planos que
ela tinha para mim. Queria que eu fosse o sucessor de meu pai, queria
que eu conquistasse minhas próprias terras. Queria fazer de mim um
monstro soberano de poder inigualável. E assim os anos passaram, e me
foi ensinado tudo a respeito do destino que me esperava. Eu já entendia
as diferenças que me separavam de meus pais e dos outros membros da
corte. Eles eram imortais, e eu, apenas humano. Mas havia uma coisa, uma
única coisa que eu ainda não entendia: como poderia eu ser filho daquela
mulher? Como um ventre morto poderia gerar uma criança humana?
Perguntei-lhe essas coisas milhares de vezes, e em todas elas Dydime me
respondera a mesma coisa. “Você não nasceu de mim, mas nasceu para ser
meu.” Pode imaginar como estava minha mente? Eu estava confuso, com medo
e sentia uma raiva tão profunda dentro de mim que ás vezes assustava a
mim mesmo. Sentia ódio o tempo inteiro. Eu queria apenas ser como todas
as outras crianças, sem um destino terrível me espreitando no horizonte
de minha curta vida. Eu queria ser mortal, sentir o frio do inverno e as
brisas perfumadas da primavera. Queria andar pelas ruas de pedra de
Volterra com o vento cálido do verão esquentando minha pele. Queria
provar o vinho e o pão, queria ter filhos com uma mulher bonita e
entregar a ela meu coração. Queria envelhecer vendo minha família
prosperar. Mas tudo isso foi roubado de mim no momento em que Dydime me
tirou dos braços de minha mãe mortal. – Willian cerrou os punhos,
estremecendo. Olhei para ele, retribuindo seu olhar turvo. Ele suavizou
seu rosto, respirando lentamente, desviando o olhar para as sombras na
parede de pedra. – Mas eu não soube disso até muito tempo depois. A
verdade é que nunca deixei de procurar as respostas para minhas
infinitas perguntas, mas meus primeiros anos como imortal tomaram-me
bastante tempo. Na noite do meu décimo oitavo aniversário, Dydime
cumpriu sua promessa e me transformou. Apenas dois anos depois, quando
já conseguia controlar razoavelmente minha sede, é que eu pude sair do
castelo e caminhar pela minha cidade natal pela primeira vez. Aprendi a
caçar, a me alimentar de humanos infratores, assassinos, ladrões... Mas
para isso nós íamos caçar fora de Volterra, a quilômetros dos muros que
protegiam a cidade de São Marcus. Não era permitido tirar nenhuma vida
humana dentro desses portões, nem mesmo de meliantes, meu pai era
bastante rigoroso com isso. Era uma grande ironia na verdade, o próprio
chacal zelando pelo rebanho de ovelhas... – Escarneceu ele, seus olhos
vermelhos enegrecidos pela penumbra se perderam por um momento, vendo
coisas além do tempo e daquele quarto medieval. Estava absorto em suas
próprias lembranças, preso por seus próprios fantasmas.
- Willian? – Sussurrei, tentando trazê-lo de volta para o presente. Ele
olhou para mim envergonhado.
- Perdoe-me. O passado ainda tem o poder de me capturar ás vezes.
Feridas profundas como as nossas não cicatrizam facilmente, talvez nem a
eternidade seja o bastante para elas. – Ele suspirou, retomando sua
expressão vazia. – Bem, onde eu estava? Ah sim, nos meus primeiros anos
como imortal... Pois bem, o importante nessa parte da história é que
você entenda os motivos que me levaram a matar minha própria mãe. –
Estremeci, tentei dissipar de minha mente a imagem de minha mãe,
obriguei-me a ouví-lo com atenção, ignorando a dor que lambia meu peito
como chamas de um incêndio.
- Dydime me enojava, eu nunca fui capaz de amá-la como um filho. Era
como se, cada vez que olhava para ela, eu visse a morte de minha mãe
mortal, a mãe que eu jamais conheceria. E eu nem mesmo tinha provas de
que fora ela quem matara minha mãe, mas sabia, de alguma forma, que a
humana que me dera a vida já não vivia mais. Mesmo assim começei a
procurar, as escondidas é claro. Perambulei pelas ruas da cidade
perguntando e observando discretamente, até o dia em que ouvi um
comerciante comentando sobre a cigana que lhe vendera um amuleto que não
surtia efeito algum. Me aproximei dele no dia seguinte e ofereci
bastante dinheiro por aquele amuleto, com a esperança de que ele me
contasse algo mais. Comprei o amuleto e o homem disse que a tal cigana
vivia perambulando pela cidade, vendendo amuletos e talismãs para os
turistas, disse que ela era uma excelente tecelã também, mas que já
havia morrido há muito tempo de tristeza pelo desaparecimento de seu
bebê. Apontou-me a direção da velha cabana fora da cidade onde a jovem
mulher vivia sozinha com seu filho sem pai. Fui até a tal cabana. Estava
entregue as traças, um amontoado de destroços e ruínas. Revirei os
restos dos indícios de sua existência, em cada pedaço de roupa, em cada
tapeçaria inacabada, a cada grampo de cabelo que encontrei soterrados
naqueles destroços, eu sentia que estava encontrando partes minhas,
pedaços de mim que se perderam no tempo. De alguma forma eu soube que
aquela tinha sido minha casa um dia. – Ele silenciou apenas por um
momento, e antes que seu rosto oscilasse novamente ele continuou:
- Voltei para o castelo aquela noite e exigi a verdade de meus pais.
Estava louco de ódio, inconformado por ter sido tomado dos braços de
minha mãe para me transformar nessa coisa morta e imperecível. Marcus
gritou comigo, tentava fazer-me ser razoável com Dydime, mas eu só
conseguia gritar e gritar cada vez mais alto com ela. Dydime nem ao
menos olhou-me nos olhos. Chamou-me de insolente, de filho ingrato...
Lembro-me dos olhares de toda a corte. Estavam todos assustados com
minha reação, acho que nunca imaginaram que eu reagiria tão mal à
verdade que todos esconderam de mim desde o princípio. O único que
parecia profundamente satisfeito com toda aquela confusão era Aro. Para
ele qualquer discórdia dentro da casa de meu pai era vista como uma
oportunidade a mais para seus planos. Naquele tempo Jane e Alec já
estavam conosco, recém transformados, as mais novas armas de Aro
infiltradas no exército de meu pai, a melhor chance que Aro já tivera de
tomar o poder. Se eu não tivesse feito aquilo... Certamente seria uma
questão de tempo até que Aro desse o primeiro golpe. Mas eu fiz isso por
ele. – Willian levantou-se, fiquei encarando suas costas durante algum
tempo, as sombras oscilando entre nós. Ele caminhou até a cômoda de
madeira maciça, a luz das velas nos candelabros iluminou seu rosto
delicado. Quando falou, sua voz estava sem vida.
- Havia conflitos entre nossa espécie em vários lugares próximos a
Volterra. Era questão de tempo até que a guerrilha chegasse a nossos
portões. Meu pai colocou o exército em movimento, ele não ficava muito
tempo fora de casa, mas lembro-me que naquela noite ele fez questão de
aplicar a punição nos líderes da ofensiva. Foi a primeira vez que Aro
levou Jane e Alec para um combate. Era o teste que ele precisava para
dar o primeiro passo contra meu pai. Os gêmeos bruxos exterminaram mais
de cem vampiros recém criados e seus líderes, Aro estava em êxtase.
Lembro-me de ter ficado no castelo, trancado neste mesmo quarto em que
estamos agora, ouvindo o estalar das fogueiras que queimavam os restos
dos inimigos de meu pai. Ouvi os gritos, trazidos pelo vento como uma
serenata e tudo que conseguia pensar era no horror em que fui
mergulhado. Aquela criatura que tinha tudo, ainda assim foi capaz de
tirar a única coisa que eu tinha, minha humanidade. – Willian virou-se,
encarando-me com um olhar impenetrável. – Não sei dizer-lhe o que
exatamente me fez caminhar, cômodo após cômodo deste castelo, procurando
por ela. Encontrei-a em seus aposentos, a esplendorosa raínha Dydime
escovava seus cabelos negros como a noite quando adentrei
silenciosamente pela porta. “Veio me acusar novamente filho ingrato?”
Disse-me ela. Aproximei-me dela, sentindo todo meu ser sucumbir a uma
espécie de letargia irreparável, não sentia mais nada naquele momento,
estava verdadeiramente morto e a única coisa que queria, ela levá-la
para a morte comigo. Abracei-a. Senti seu corpo pequeno em meus braços,
o frio que emanava dela como um sopro de morte. Estreitei meus braços em
vonta dela, envolvendo-a como uma mortalha. Ela não pronunciou nem uma
palavra enquanto eu esmagava seu corpo, enquanto sentia seus membros de
pedra quebrarem-se em minhas mãos e braços. Ela não disse adeus, nem
disse que me amava ou odiava, apenas permaneceu em silêncio enquanto eu
a matava, enquanto matava a mim mesmo junto com ela. Se eu pudesse
chorar, creio que teria chorado aquela noite. – Ele suspirou,
circundando os pilares de pedra que sustentavam a laje enegrecida. Parou
alí, cruzando os braços no peito rígido e encarando-me com uma expressão
profundamente vazia.
- Quando meu pai voltou, encontrou o castelo em chamas. Bem, pelo menos
boa parte dele. Eu queimei os restos dela e permanecia alí, ao lado da
pira que queimava como palha. A fumaça enchia meus pulmões, estava
zonzo. Me tiraram de lá rapidamente, creio que se estivesse em condições
de resistir, eu teria lutado para ficar alí com os restos dela, até que
o fogo me consumisse também e lavasse meus pecados. Dydime já era apenas
cinzas na tapeçaria italiana. Naquela noite, eu matei minha mãe e meu
pai, poi Marcus morreu alí, olhando para as cinzas dela, o fogo que a
queimou também o consumiu por inteiro. Ele nunca mais foi o mesmo.
Quando saiu daquele quarto em chamas, Marcus era apenas uma casca oca.
Foi o golpe fatal que entregou a liderança dos Volturi nas mãos de Aro.
Marcus não queria mais nada sem ela, não tinha forças nem mesmo para
querer a morte.
Mais tarde naquela mesma noite, perguntaram-me sobre o ocorrido. Meu pai
agarrou-me pelos colarinhos exigindo saber quem fora o responsável por
aquilo. Eu ví o ódio que senti nascer nos olhos dele e morrer no mesmo
instante em que falei: “Fui eu, pai”. Ele me largou, cambaleando para
tráz, desnorteado com a minha traição. Foi o tiro de misericórdia direto
no coração de meu pai. – Eu podia sentir toda a dor do passado dele,
tantas perdas, tantos erros, tanto sofrimento. Fiquei alí encarando-o na
escuridão, tentando encontrar em seu rosto a força na qual ele se apoiou
para se manter inteiro durante todos esses anos. Era um peso tão
absurdamente grande... Um fardo impossível de ser carregado por um único
homem.
- Me atacaram. – Olhei-o atônita. – Aro acusou-me de traição, disse que
eu precisava ser punido. Mandou Alec e Jane para cima de mim e a única
coisa que fiz, foi encará-los, esperando minha morte. Foi quando todos
estacaram diante de meu poder. O poder que nem eu mesmo sabia que tinha.
– Meu coração martelava, a história de Willian parecia nunca ter um fim
e sempre me surpreendia. Que poder era esse?
- Todos os poderes são neutralizados pelo meu, eu simplesmente faço
desaparecer qualquer dom que um imortal possa ter. Quando descobri o que
podia fazer, não esperei Aro encontrar uma outra maneira de me destruir.
Fugi de Volterra, deixei tudo para tráz. Meu pai e minha história
amaldiçoada, levei comigo apenas a promessa de nunca voltar e o amuleto
de minha mãe, aquele que comprei do velho comerciante. Em trezentos anos
nunca ninguém foi capaz de me achar. Aro tentou por muito tempo,
principalmente depois que trouxe Demetri para a guarda. Estive andando
pelo mundo durante todos esses anos, procurando uma forma de me redimir.
Acho que você deve estar pensando que caçar sua família a mando de Aro
não é lá uma maneira muito honesta de me redimir. Mas acredite, eu não
tive escolha. Aro encontrou um jeito de me punir afinal de contas, após
trezentos anos ele encontrou um meio de me obrigar a ficar e usar meus
poderes.
- Willian. – Intervi, minha voz reverberando pelos cantos do quarto
escuro. Ele me olhou, confusão toldando sua face semivisível na
penumbra. – Conte-me o que houve com minha família. Por favor, eu
preciso saber. Sei que você esteve lá no dia em que me trouxeram para
cá. Era o único jeito de Alice não ver vocês chegando, a única forma de
meu pai não ver a mente de vocês. Você fez os poderes dele sumirem, não
fez? Que outra forma haveria? Conte-me o que foi feito deles, por favor,
por favor... – Eu estava chorando, e sentia que as lágrimas formavam uma
força maciça dentro de mim, empurrando meu controle para fora,
liquefazendo minhas defesas. Willian olhava-me envergonhado mas ao mesmo
tempo emocionado por minhas palavras. Eu sentia que de alguma forma ele
me ajudaria, mas tinha medo de estar me iludindo, afinal, havia ainda o
bom motivo que Aro usou para trazê-lo até aqui, para obrigá-lo a
serví-lo.
- Nós vamos te ajudar Nessie. – A voz suave emergiu da escuridão,
fazendo as portas de carvalho estalarem. Alec adentrou o aposento como
uma aparição, eu nem ao menos ouvi seus passos. Willian encarou-o com
raiva e desprezo, mas Alec apenas retribuía meu olhar turvo. – Willian e
eu vamos ajudá-la a sair daqui e encontrar sua família. – Alec olhou
para Willian, que sorriu amargamente em resposta.
- E por quê devemos confiar em você, o pupilo prodígio de Aro? – Ameaçou
Willian.
- Por quê eu sou o único que pode ajudá-los e por quê você não tem
escolha. – Retorquiu Alec. Willian encarou-o contrariado, depois olhou
para mim e perguntou:
- Você confia nele? – A pergunta ecoou dentro de minha mente como um
sino, de novo e de novo e mais uma vez. Pensei em todas as coisas que
vira Alec fazer por mim e em todas as coisas que sentia emanar dele,
coisas que de alguma forma me alcançavam como laços e cercavam-me com
uma confiança e segurança que eu só sentia com Jacob. Respirei fundo,
sentindo o gosto das lágrimas em minha língua. Levantei, firmei meus pés
no chão e disse para mim mesma que estava pronta para revidar.
- Sim.
Capítulo 25 – a historia do herdeiro - Rising Sun a Historia
Seja Bem Vindo
Lua Nova Twilight! Desde 04/01/2009
Eclipse Tem Data de Estréia 30/06/10
Amanhecer Tem Data de Estréia
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