Essa Fanfic foi escrita por mim e é nada mais que uma homenagem ao
trabalho maravilhoso de Stephenie Meyer e à essa saga que todos nós
amamos.
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Capítulos 
Se gostaram da Fic, divulguem para outros fãs da saga! Bjos, Anna Grey!
Capítulo 21 – Ligação
Chovia na superfície. Eu podia ouvir a água infiltrar-se pelas pedras e
escorrer pelos túneis que circundavam toda extensão daquela galeria
milenar. Cada gota fazendo um som distinto, as poças enegrecidas
formavam pequenos lagos pelo chão, uma delas estava quase alcançando
meus pés. A água era fria, as paredes eram frias, e além daquelas
paredes não havia nada além da chuva para se escutar. Um silêncio que
parecia ser impossível de se romper, arraigado no fundo de minha mente
entorpecida.
Sentia-me tão humana... Era como se eu nunca tivesse passado disso. Uma
sensação que um imortal jamais iria conhecer, a qual eu pensava ser
impossível. Mas afinal eu era metade humana também, não era? E era essa
a parte estúpida e frágil de mim que sucumbira a inconsciência após o
ataque de Jane. Patético. Só não sentia-me com mais raiva, por causa da
dor, raxando meu cérebro ao meio. Uma simples dor de cabeça, só que com
a força de uma colisão de caminhões. O silêncio parecia elevar a dor dez
mil vezes mais.
A consciência do que havia acontencido me atingiu aos poucos, lembro-me
que quando acordei – há algumas horas – eu só conseguia sentir o torpor
adormecendo cada parte de meu corpo, e as lembranças vieram como facas
no escuro, cada uma delas atravessando impiedosamente meu peito.
Alec já deveria estar morto a essa hora, reduzido a cinzas por tentar me
ajudar. Eu só desejava que o lado teatral de Aro falasse mais alto,
assim talvez Alec teria um suposto julgamento, isso o daria mais tempo.
Mas, do que adiantaria mais tempo? Ninguém nos salvaria. Alec estaria
queimando no fim do dia ao lado de minha própria pira.
Sentada alí, naquele chão frio e úmido, encarcerada numa cela de dois
por dois em algum lugar remoto da grande galeria subterrânea dos
Volturi, eu começei a pensar em como a vida era injusta. Pensei
basicamente em como tudo acontecera tão rápido em minha vida, e em como
tudo parecia ser extremamente errado, antinatural. Se o mundo fosse um
lugar saudável, sem monstros ou aberrações da natureza como eu, talvez
as coisas parecessem um pouco mais certas, ou talvez não. O fato é que
eu não entendia o propósito da nossa existência, os seres imortais,
afinal de contas para quê servíamos? Nossa existência contrariava a
ordem natural das coisas, e no fim de tudo, éramos apenas predadores,
lutando entre sí por um espaço no mundo. E criaturas como Aro, eram
apenas o que os humanos chamavam de ditador, só que com força e poder
ilimitados e a eternidade a seu favor.
Esses pensamentos eram tão úteis quanto um guarda-chuvas furado no
deserto, e eu me achava ainda mais tola por me importar com isso,
justamente quando nada mais importava. Sentia-me quebrada e o silêncio
apenas fazía com que tudo aumentasse de volume. Eu não queria mais
escutar. Não queria mais pensar ou lembrar coisas que já se foram. Eu os
perdi. Todos eles.
Esperei que viessem me buscar. Acho que lá no fundo eu anciava por isso,
um fim para todo desespero que eu tentava conter sem êxito algum, uma
represa rachada prestes a inundar tudo. Eu olhava para o fim do túnel e
lá eu enxergava uma fraca luz. Talvez fosse o fogo do inferno me
esperando, e Aro não o deixaria esperar por mim muito mais tempo. Eu já
até sabia o que ele diria em seu discurso final, podia ouvi-lo
sussurrando em meu ouvido suas palavras gentis sempre cheias de falsas
intenções, podia ver seus olhos brilhando de satisfação e seu rosto
macilento contorcendo-se naquela máscara de escárnio. Sim, eu esperava
por ele, esperava pelo fim. Mas ninguém apareceu nas primeiras doze
horas, e isso me fez pensar sobre algo que Alec tinha me dito antes da
fuga. Outra coisa inútil que ficava rodando e rodando em minha mente sem
que eu concedesse minha permissão.
“Aro está tendo problemas internos, os novos membros não estão
cooperando tanto quanto ele gostaria.” Essas palavras iam e vinham,
remexendo-se insistentemente dentro de mim, e com elas vinha aquela
sensação, como se deixassem um rastro, clamando para que eu o seguisse.
Eu sabia o que era, e queria mais do que nunca ignorá-la. A mesma
sensação que eu sentia toda vez que sonhava com Aro na campina, uma
inquietude, uma coceira irritante em minha mente. Naquela noite, depois
de muito tempo, eu sonhei de novo. Eu estava na campina, aquele mar
verdejante que nunca tinha um fim. As vozes de Carliste e de meu pai
soavam longe, eu não podia vê-los. A risada felina de Aro trovejou ao
meu redor, memórias turvas que dissipavam-se antes mesmo de ganharem
alguma coerência. Eu sabia que estava sonhando. Eu sabia que fecharia
meus olhos, e quando os abrisse eu o veria me encarando. Mas não eram os
olhos astutos de Aro que me fitavam quando abri meus olhos, e eu demorei
algum tempo até reconhecer o rosto anguloso e rígido que pairava diante
de mim.
Zafrina, tal como eu me lembrava dela, olhava-me paciente, uma polidez
que não condizia com suas feições selvagens e enérgicas. Eu estava mesmo
sonhando, mas algo naquele sonho soave-me um tanto fora do normal.
- Zafrina. – Cumprimentei, e me espantou o fato de eu ainda ser capaz de
sorrir, mesmo que em um sonho. Ela me olhava serenamente, sua imagem era
como uma aparição.
- Você cresceu criança. – Disse ela com sua voz grave.
- É, eu cresci. – Olhei para minhas mãos. Era estranho, havia algo de
errado naquele sonho, eu sentia isso de um modo muito pessoal. Uma
sensação que eu conhecia muito bem.
– Zafrina, eu não estou sonhando não é mesmo? – Perguntei.
- Não minha criança, você não está sonhando. – Respondeu ela calmamente.
Pensei um pouco sobre aquilo, mas não foi preciso muito para eu
compreender o que estava acontecendo.
- Era você. – Suspirei. – Sempre foi você.
- Sim, era eu na sua mente esse tempo todo. – Zafrina olhou em volta e
quando segui seu olhar eu pude ver todos alí. Minha mãe, meu pai, Alice,
Jasper, Carlisle, Esme, Rosalie, Emmet, Jacob... Fantasmas sem forma
girando em volta de mim.
- Por quê Zafrina? Por quê tem feito isso comigo? Você quase me
enlouqueceu. – Fechei meus olhos, doía olhar para aquelas imagens
desfocadas do que um dia tinha sido toda minha vida.
- Por quê era preciso criança, você precisava saber a verdade. – Disse
ela.
- Que verdade? Sobre Aro? Sobre os Volturi? – Era tudo perturbadoramente
real, a campina parecia estar bem alí, e isso fazia tudo parecer mais
assustador, como um labirinto sem entrada nem saída, e a perspectiva de
que todo aquele pesadelo era real, deixava um buraco dentro de mim.
- Você precisava saber a verdade sobre mim. Eu estou aqui Nessie, em
Volterra. – Zafrina olhou em volta mais uma vez, e novamente o cenário
mudou. A campina sumiu, e todo o verde desbotou até virar cinza. E havia
tanta tristeza naquele novo cenário, tanta desolação. Eu podia sentir no
ar, como se uma fumaça tóxica pairasse sobre nossas cabeças. Zafrina
caminhou por entre os pilares de pedra esculpida, seus pés estavam
descalços e suas roupas puídas e sujas. Eu a segui, observando os
detalhes do saguão principal dos Volturi.
- Como você faz isso Zafrina? – Perguntei, perplexa com a exatidão de
suas ilusões. – Eu estava do outro lado do globo.
- Não consigo fazer isso sempre, nem com qualquer pessoa. É por isso que
tinha de ser você, Nessie. – Ela virou de frente para mim e pegou minhas
mãos, a textura suave me sobressaltou. Eu esperava que, se eu tocasse
nela, talvez ela se desvaneceria em uma nuvem de fumaça. Mas ela estava
alí, perfeitamente palpável a minha frente.
- É incrível. – Sussurrei.
- Nossos poderes são similares, por isso tenho essa ligação com você. Eu
não seria capaz de me conectar com ninguém a esse nível. – Ela me olhou
nos olhos, como se procurasse alguma coisa neles.
- Meus poderes não são nem de longe tão abrangente quanto os seus. Bem,
ultimamente eles têm se desenvolvido, mas... – Eu parei, percebendo a
verdade em minha palavras. Verdade que até então eu não tinha me dado
conta. – Foi você também? Na Floresta, quando eu e Jacob lutamos contra
Félix e Heidi? Foi você não foi? – Ela me olhou confusa por um momento,
ponderando minhas palavras.
- Não fui eu Nessie, mas acho que sei como meus poderes influenciaram os
seus. – Disse ela, sorrindo ternamente. – Como eu disse, nós temos dons
muito parecidos, acredito que, quando começei a me conectar com você em
sonhos, eu devo ter acelerado seu processo de desenvolvimento. Mas o que
você fez naquela floresta, saiu de sua mente, não da minha. Eu só não
entendo como se intensificou tão rápido. Expandir seus pensamentos para
a mente de outras pessoas geralmente requer décadas de treinamento. – Ví
sua face perfeita torcer-se num misto de admiração e espanto. Eu tinha
uma boa idéia do que ajudou meus poderes a se expandir tão depressa. Na
verdade, eu tinha duas teorias. O veneno de meu pai e o sangue humano.
Duas coisas extremamente poderosas para um imortal.
As coisas faziam mais sentido agora, mas ao contrário do que eu
esperava, esse novo entendimento não me fez sentir melhor. Eu duvidava
que existisse algo que fosse capaz de fazer eu me sentir melhor.
- Você está tão triste criança, seu coração chora. – Falou Zafrina no
tom brando que ela sempre usava comigo. Me espantou o fato dela sentir
isso em minha mente, e eu começei a entender o que ela queria dizer
quando falava em nossa “conexão”. Era algo além de simples ilusões
introduzindo-se em minha mente, era como se a realidade escorregasse
para os pensamentos dela e então chegassem a mim. Era tão complexo e
inacreditável... Se eu ainda fosse a Renesmee que costumava ser, eu
ficaria excitada com a perspectiva de aprender com ela, aperfeiçoar meus
dons. Mas agora, agora não havia muitas coisas que eu gostaria de fazer,
e se eu ainda respirava, era por quê eu mantinha secretamente dentro de
mim a esperança de vingar minha família. Esperança que se frustrava a
cada minuto.
- Eu estou bem Zafrina. – Menti. – Eu vou fazer tudo ficar bem. – Outra
promessa que eu sabia que não poderia cumprir, mas que escolha eu tinha?
Eu precisava dar à ela algo em que se apoiar, uma parte da esperança que
eu não tinha.
- Eu sei criança, você vai salvar a todos nós. É seu destino nos salvar.
– Zafrina voltou a caminhar pela ampla câmara vazia, seus pés mal
tocavam o chão. Eu queria muito dizer a ela a verdade, que eu estava
condenada assim como ela e todos os outros, mas eu não podia admitir,
não conseguia dizer as palavras em voz alta, era muito para mim.
- Onde estamos indo Zafrina? – Perguntei.
- Vou te levar até os outros. – Disse ela. – Eles também esperam por
você.
- Outros? Alec disse que estavam quase todos mortos. – Não fazia
sentido, por quê Aro correria o risco de manter mais prisioneiros aqui,
no covil das cobras? Ela não respondeu, apenas deslizou pelas
reentrâncias da galeria, descendo cada vez mais fundo nos túneis que,
certamente, eram intersecções do túnel que levava a minha cela do lado
oposto. Havia no fim daquele túnel lúgubre e estreito, na extremidade
mais longícua e mal iluminada, uma porta de ferro, com ferrolhos da
grossura de meus braços. Zafrina parou a dez metros da porta e virou-se
para mim.
- Vá até lá criança, ela está te esperando. – Disse ela com um leve
sorriso na face perfeita.
- Quem Zafrina, quem está lá? – Perguntei, sentindo um tremor subir por
minhas pernas.
- Ela me disse que você viria nos salvar. Vá até ela Nessie. – Ela
segurou minha mão levemente e depois voltou pelo caminho em que viemos.
Olhei para a porta, tentei sentir algum indício de quem me esperava, mas
só havia o silêncio. Tive que me lembrar que aquilo era uma ilusão
afinal de contas, por mais real que parecesse. Nada poderia me acontecer
de fato, era apenas Zafrina em minha mente, tentando me dizer algo.
Eu pisquei meus olhos e já estava alí, parada em frente a porta, girando
o ferrolho maciço com minhas mãos desnudas. O trinco cedeu e o rangido
das dobradiças ecoou pelo espaço vazio. Real demais.
Ela estava bem alí, perfeitamente imóvel no meio do quarto frio e úmido,
uma réplica de minha própria cela. Senti meu coração martelar em meus
ouvidos quando coloquei meus olhos em seu rosto frágil e miúdo. Alice
sorriu para mim e as lágrimas rolaram por meu rosto sem que eu pudesse
contê-las. Eu queria abraçá-la, tomá-la em meus braços e nunca mais
deixar que ela se afastasse de mim, mas meu corpo começou a se contorcer
de uma forma que eu não conseguia controlar e a imagem doce e frágil de
Alice foi se desvanescendo diante de meus olhos. Eu gritei para ela
voltar, me sacudi tentando fazer meu corpo ir para frente, mas eu
sentia-me presa, como se um abraço de ferro estivesse me segurando,
contendo minha vontade de alcançá-la.
Ela se foi. No lugar em que ela estava havia apenas a parede tosca e
úmida de minha cela. Eu começei a chorar, não queria ter acordado antes
de falar com ela, antes de saber se ela estava bem, se realmente estava
aqui. Um dedo frio e suave tocou meu rosto, limpando as lágrimas de meus
olhos. Os braços que me trouxeram de volta da ilusão de Zafrina estavam
bem alí, em volta de mim, amparando-me no chão de pedra.
- Alec – Sussurrei. Ele sorriu pra mim e afagou meu rosto mais uma vez.
As lágrimas rolaram incontroláveis de meus olhos e eu já não sabia pelo
que eu estava chorando. Acho que chorei por todas as coisas que perdi,
por tudo que passei desde o dia em que saí de casa com Jacob. Aquelas
lágrimas continham todo desespero que eu havia sufocado dentro de mim, e
naquela hora, eu agradeci silenciosamente por Alec estar alí. De alguma
forma ele tornava minha dor mais suportável, e eu me senti aliviada por
ele ainda estar vivo e por eu não ter sido a responsável por sua morte.
- Shhhh, está tudo bem. Eu vou te tirar daqui. – Disse ele em meu
ouvido. Ele extreitou seus braços em mim, e a força dele pareceu me
fortificar também. Pela primeira vez em muito tempo, eu senti meu corpo
reagir. Senti minha velha sede de justiça despertar como um vulcão
adormecido. Se Alice e Zafrina estavam alí, se contavam comigo para
salvar a todos nós, eu não falharia com elas novamente. Eu ia arrumar um
jeito de nos tirar dalí.
Capítulo 21 – ligação - Rising Sun a Historia
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Lua Nova Twilight! Desde 04/01/2009
Eclipse Tem Data de Estréia 30/06/10
Amanhecer Tem Data de Estréia
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