Essa Fanfic foi escrita por mim e é nada mais que uma homenagem ao
trabalho maravilhoso de Stephenie Meyer e à essa saga que todos nós
amamos.
Clique Aqui para voltar ao home do Rising Sun
Capítulos 
Se gostaram da Fic, divulguem para outros fãs da saga! Bjos, Anna Grey!
Capítulo 13 – Sol Nascente
Eu não sei onde estive – nem por quanto tempo – perdida dentro de mim
mesma. Estava vagamente consciente do ar frio – cada vez mais frio –
passando por mim, do som dos passos firmes e rápidos de Jacob, de sua
respiração estável em minha pele. Não sei o que me trouxe, aos poucos e
desorientadamente, de volta a meu próprio corpo. Sentia-me uma estátua
viva, uma pedra rígida com um coração pulsante. A pele de Jacob era um
contraste confortável a minha, como uma ligação com o mundo dos vivos,
uma parte minha que sobreviveu ao congelamento. O coração dele
impulsionava o meu a bater, embora num ritmo desigual.
Eu não sabia onde estávamos, não sabia para onde ele estava me levando,
mas eu não me preocupei com isso. Eu confiaria minha vida a Jacob, e
sabia que ele zelaria por ela com a sua própria. Por algum tempo só me
concentrei nos sons da noite ao nosso redor, os ecos que deixávamos ao
passar por entre as árvores e arbustos. Então, tão subitamente que
demorei a perceber, Jacob parou e me baixou ao chão. A luz de postes
incidia por entre as árvores a alguns metros à frente. Jacob me colocou
deitada entre as folhagens murchas de um abeto, às sombras das luzes
fracas de alguma rua deserta, em alguma cidade ao norte. Tentei
encontrar minha voz. Tentei me colocar de pé, me mover, reagir de algum
modo àquela paralisia de membros e mente, mas um torpor gélido se
instaurou sobre mim, e ele era infinitamente mais forte que eu, ou minha
vontade de reagir.
- Ness, olhe pra mim. – Tentei obedecer. Deixei as mãos quentes e
grandes me guiarem e encontrei um par de olhos castanhos enegrecidos
pelas sombras da noite. –Eu vou te deixar aqui por um minuto. Volto
antes que você perceba que saí. Fique quieta e não saia daqui. – Ele
permaneceu encarando meus olhos vidrados por um momento e depois saiu,
me deixando no mais intenso frio que já experimentei, embora a
temperatura externa nada tivesse a ver com isso. Uma pequena parte de
mim queria saber onde ele tinha ido, mas era pequena demais para vencer
toda a névoa em minha mente. Uma lanterna de pilhas fracas.
Forcei meus pensamentos a retroceder, tentei me lembrar de quem eu era.
Flashes e rostos acendiam e se apagavam em meus pensamentos turvos. Uma
sala ampla e iluminada, a música de um piano ao canto, o som de risadas
melodiosas. Uma cabana entre árvores, um par de olhos âmbar me olhando
ternamente, um aroma quente e amadeirado se misturando à floresta ao
redor da praia. Todas as coisas que me faziam quem eu era foram surgindo
e brotando em minha mente. Meus pais, minha família, a tribo que, de
alguma forma fazia parte de mim. O amor que eu sentia por ele. Ele, que
de tantas formas contribuiu para o que eu era hoje, que de tantas
maneiras, salvou o dia. Ele, que me salvou de mim mesmo.
O barulho de pneus derrapando contra o asfalto, o vidro se partindo.
Dois tiros ecoando na noite, três corpos estendidos no chão, o sangue em
minhas mãos. Lembrar foi mil vezes pior do que sucumbir à letargia. O
peso da culpa e da vergonha me atingiram em cheio no peito. Um soco de
aço em meu estômago. Um grito agudo e desesperado ecoou nas árvores e se
estendeu até a rua deserta. Foi só quando arfei, tentando encontrar o ar
que desaparecia de meus pulmões, que compreendi que o grito saíra de
minha boca.
Jacob reapareceu entre os galhos um segundo depois. Ele estava reclinado
protetoramente sobre mim, murmurando palavras tranqüilizadoras, mas eu
só podia senti-lo distante de mim, como se eu nunca mais pudesse
alcançá-lo. Senti meu corpo deixar o solo e logo percebi que cruzávamos
a margem da floresta, encontrando a luminosidade fraca e amarelada das
luzes dos postes. O vento corria livremente pela rua deserta. Fora da
proteção das árvores, eu pude sentir a leve garoa gélida bater em meu
rosto. Meu corpo era um objeto sem peso, inerte nos braços quentes de
Jacob. O céu estava imerso em total escuridão, embora estivesse
inquieto, nenhuma nuvem aparecia para reivindicar o movimento hostil
acima de nossas cabeças. Um clarão resplandecente incidiu daquele céu
imaculado e um estrondo feroz estremeceu o solo quando paramos em frente
à última casa da rua.
***
Quando a porta de carvalho escuro se fechou atrás de nós, toda
movimentação daquela noite escura e tempestuosa cessou, deixando um
silêncio agourento nos envolver no que me pareceu ser um hall de
entrada. Não havia nenhuma luz ali, exceto os clarões momentâneos dos
relâmpagos, que penetravam as cortinas rendadas da pequena sala à nossa
frente. Tentei focar meus olhos em alguma coisa ao redor, encontrar
algum indício de que eu estava de volta à La Push, mas nada ali era
familiar a mim. O silêncio que zumbia em meus ouvidos não se estendia à
minha mente, as lembranças recentemente despertas estavam fervendo
dentro de mim, borbulhando como um caldeirão prestes a transbordar.
Jacob cruzou a sala e um cheiro de cinzas e madeira seca pairou no ar,
devia haver alguma lareira por ali. Os degraus de uma escada estreita
rangeram quando Jacob nos conduziu ao andar superior. Onde estávamos?
Por que Jacob me trouxe aqui? Perguntas que eram apenas ecos fracos no
meio do turbilhão de pensamentos e imagens em minha mente. Aquela
bagunça estava me deixando tonta, sonolenta e desorientada dentro do meu
próprio corpo. Outra porta se abriu no fim do que me pareceu ser um
corredor vazio e estreito. Um cômodo mais amplo e arejado se estendeu à
nossa frente, senti pelo deslocamento de ar ao passarmos que ali havia
poucos móveis e estava desabitado há algum tempo. Havia poeira e umidade
no ar.
Jacob me colocou sobre os lençóis frios da cama, empilhou alguns
travesseiros e me deitou.
Ouvi o baque oco das mochilas batendo no chão. Fechei meus olhos,
temendo o que veria se os mantivessem assim por muito tempo. Eu estava
com medo de dormir, não queria sonhar com aquela estrada, com aqueles
homens, com o sangue que ainda manchava minhas roupas e meu rosto, cujo
gosto ainda permanecia em minha boca. Não queria ficar ali, vendo Jacob
cuidar de mim como se eu fosse uma boneca frágil, vendo-o zelar por meu
sono enquanto segurava minhas mãos sujas de sangue seco. Mas eu não
conseguia me mover, apesar do torpor ter-se esvaído e deixado para trás
aquelas imagens detestáveis, eu ainda não conseguia fazer meu corpo me
obedecer. Até mesmo respirar era um esforço contínuo e árduo, e minhas
últimas energias estavam sendo destinadas a me manter acordada. Jacob
andava de um lado a outro do quarto, revirando gavetas e armários. Ele
acendeu algumas velas e as distribuiu pelo cômodo, pela primeira vez
desde o acidente eu pude ver seu rosto, e isso me ajudou a me manter
desperta. Ele não percebeu meu olhar, seguindo-o para todos os lados,
depositando nele minhas últimas forças – minhas últimas esperanças.
Observei ele apanhar uma toalha e desaparecer por uma porta à esquerda,
segundos depois o barulho de água quebrou o silêncio e se misturou com a
chuva que martelava o vidro atrás das cortinas. Uma luz fraca
transpassou a porta entreaberta e se juntou à luz amarelada e trêmula
das velas espalhadas pelo quarto. Jacob parou no portal recém iluminado
e me olhou, seu rosto estava envelhecido, um cansaço impertinente
pesando em suas pálpebras. Eu o estava esgotando com meu jogo de gato e
rato, caçando um fantasma, perseguindo uma intuição. Estava obrigando-o
a permanecer longe da família, a perder os últimos anos de seu velho
pai, estava obrigando-o a assistir meus espetáculos bizarros de
alucinações e assassinatos. A sombra de culpa que pairava sobre mim
ganhou toneladas a mais ao ver Jacob tão cansado e triste. Era como se
seu pesar se unisse ao meu, como gotas de óleo sobre a água, impossível
de se diluir. Ele forçou um sorriso nos lábios que não alcançou seus
olhos exaustos, ficou ali me olhando por minutos intermináveis até que
se aproximou da cama, arrastando os pés. Sentou-se a meu lado e pegou
minhas mãos. Eu tive vontade de vomitar ao vê-lo se aproximar de mim e
me tocar, tinha nojo de mim mesma por deixá-lo me tocar, me sentia
indigna de seu toque. Ele parecia tão pesaroso por meu estado, que de
início pensei que talvez ele também estivesse com nojo de mim. O calor
inundou minha garganta e as lágrimas turvaram minha visão. Era um nó
incapaz de ser dissolvido, uma tristeza e desesperança que transpunham o
limite da razão. Nada pude fazer para conter as lágrimas, e como a grito
na floresta, não percebi os gemidos e soluços escapando de minha
garganta. Jacob me abraçou e a sensação de seus braços me envolvendo fez
meu egoísmo falar mais alto que minha vergonha por deixá-lo me tocar.
- Shhhh… Está tudo bem Ness. – Jacob me balançava nos braços, como se
estivesse ninando um bebê com medo do escuro. – Shhhh… Vai passar, vai
passar.
Eu devia saber, devia ter imaginado que seria assim. Quando você cresce,
as coisas a sua volta também aumentam de tamanho. Os sentimentos se
ampliam, as dores são mais intensas, os problemas se tornam mais
difíceis, tudo muda quando você muda, e nos últimos dias, eu mudei tão
rápida e radicalmente que não era capaz de me reconhecer. Não sabia o
que esperar do dia seguinte, estava inteira e completamente perdida
dentro de mim mesma, agarrando-me à única coisa que me fazia sentir quem
eu era. Jacob Black.
Os soluços diminuíram ao ponto de me permitir respirar, meu rosto estava
molhado e meus olhos inchados e turvos. Jacob tirou meus tênis, desceu o
zíper do meu casaco, enquanto trabalhava, murmurava planos para nós. Ele
disse que queria conhecer Paris no inverno e visitar o tal do Louvre,
disse que iríamos ao México tomar tequila e comer tortillas e ele
desafiaria Emmet a pular de Bungee Jump sem a corda. Jacob sorria para
mim, e era difícil resistir às idéias que ele plantava em minha mente.
Uma realidade muito distante de mim.
Desabotou meu jeans rasgado e sujo e o deslizou por minhas pernas.
Jogou-o com minhas meias na pilha de roupas sujas no chão. Eu o olhava,
absorvendo cada palavra que saía de seus lábios, eu queria bebê-las,
para que ficassem dentro de mim por mais tempo, e afogassem as vozes
insistentes que habitavam as paredes do meu cérebro. Ele me pegou no
colo e enquanto me conduzia ao banheiro me entreteu com uma história de
como sua mãe tinha que obriga-lo a tomar banho, ele corria por La Push o
dia todo com Embry e Quil e ficava muito sujo, era um garotinho
magricela e descabelado que adorava carros. Tão diferente desse homem
que, uma vez se apaixonou por uma jovem e a perdeu para um vampiro, tão
distante do alfa quileute que desertou de sua tribo para seguir a filha
mestiça da mesma jovem que ele amou – a vampira que ele agora despia e
mergulhava numa banheira de água morna, afim de lavar o sangue ressecado
de sua pele de mármore. Quantas voltas mais esse mundo poderia dar?
Quantas vezes mais nós nos olharíamos no espelho e desconheceríamos a
imagem que nos encara? Jacob mudou desde então, será que ele me amaria
depois de todas a minhas mudanças – tão perturbadoramente violentas?
Quem seria Renesmee Cullen depois dessa noite?
A água morna relaxou meus músculos rígidos, aos poucos meu corpo foi
esquentando e eu agradeci Jacob mentalmente. Ele esfregava meus braços e
minhas costas com uma bucha de banho, cujas cerdas ficaram avermelhadas
com o sangue que se desprendia de minha pele. Eu estava tão
absolutamente devastada, que nem mesmo senti vergonha de estar nua na
frente de Jacob. A medida que meu corpo relaxava, a sonolância me
atingia com mais intensidade.
Jacob sentou na beirada da banheira de louça branca e me ajudou a
terminar o banho, sempre alimentando uma conversa agradável para
preencher o silêncio constrangedor.
Suas mãos alisaram meu rosto, pressionando levemente minhas bochechas,
meus olhos e meus lábios. A água me ajudou a pensar mais calmamente e a
voz de Jacob mantinha minha mente ocupada. Em um passado não tão
distante, ou em algum futuro incerto, em qualquer outro momento,
qualquer outro ângulo que eu olhasse aquela situação, eu veria algo
diferente daquilo. Mas agora, nesse momento, eu só conseguia ver a
doçura e delicadesa com que Jacob cuidava de mim. Todos os outros
ângulos estavam eclipsados por esse carinho quase paternal que emanava
dele. E Deus, como eu o amava! E como eu me sentia menor que esse
sentimento, como se meu corpo – meu coração – fosse pequeno demais para
suportar as proporções de algo que parecia inflar a cada dia.
Ele me colocou na cama, vestindo um shorts e uma regata de algodão – que
eu percebi que não eram minhas. Eu definitivamente estava me sentindo
melhor, mais leve e mais controlada. Ele me enrolou em um edredon e
sentou-se a meu lado, esperando meu cansaço me vencer. Eu queria dizer
tantas coisas para ele…mas tinha medo de despertar daquela leve calmaria
que se instalou em mim. Arrisquei uma pergunta inofensiva:
- Onde estamos? – Minha voz saiu rouca e fraca. Jacob sorriu ao me ver
mais sóbrea.
- Não sei bem que cidade é essa, deve ser na divisa com o Canadá. Também
não sei de quem é essa casa, apenas invadi a primeira casa vazia que
encontrei. – Ele não pareceu envergonhado em dizer isso, parecia
indiferente a qualquer fator externo àquele quarto.
Ele se levantou após alguns minutos de silêncio, beijou o alto de minha
cabeça e sussurrou:
- Volto logo. Você vai me ouvir no chuveiro. Quer que eu fique até você
dormir? – Acenei negativamente com a cabeça e forçei um leve sorriso
para encorajá-lo. Quando ele saiu, fiquei examinando o cômodo a minha
volta. A cama em que eu estava era grande, a cabeceira era adornada com
formas que imitavam ramos de folhas e flores esculpidas na madeira
maciça. Havia uma penteadeira no mesmo estilo em frente a cama,
recostada na parede oposta. Um espelho grande e suntuoso fazia reflexo
às velas na cabeceira da cama, e quadros, no mínimo cinco quadros de
temas diversos espalhados pelas paredes do quarto. Era uma decoração
incomum para os humanos modernos. A chuva havia se transformado numa
garoa fina, e por um instante eu só ouvi o vento sacudindo as árvores do
outro lado da rua. Jacob saiu do banheiro chacoalhando os cabelos, o que
me fez lembrar de Rose, implicando com os modos “caninos” de Jacob. Ele
vestia uma calsa branca de malha que ficou um pouco curta para seu
tamanho, a luz das velas acentuou o tom avermelhado de sua pele e fez o
branco se contrastar fortemente. Ele surpreendeu meu olhar e se
aproximou.
- Hey, ainda acordada? – Eu não conseguia parar de olhá-lo, parecia uma
besteira fechar os olhos para uma imagem tão bonita. – Eu só vou pegar
alguns travesseiros e já estou saindo, você precisa descansar. – Ele
sorriu e acariciou meu rosto. Eu definitivamente não queria que ele me
deixasse “descansar” sozinha. Ele ia se afastando quando eu disse:
- Jake.
- Que foi? – Ele se virou e me encarou.
- Fique. Fique comigo essa noite.
Quando adormeci, envolta o mais próximo que eu podia nos braços dele –
ao contrário do que eu contava como certo – não sonhei. Pesadelo algum
foi capaz de penetrar os escudos que nossos corpos formaram juntos. Na
verdade, foi a noite mais tranquila que já tive na vida.
Capítulo 13 – sol nascente - Rising Sun a Historia
Seja Bem Vindo
Lua Nova Twilight! Desde 04/01/2009
Eclipse Tem Data de Estréia 30/06/10
Amanhecer Tem Data de Estréia
00/00/00









