Essa Fanfic foi escrita por mim e é nada mais que uma homenagem ao
trabalho maravilhoso de Stephenie Meyer e à essa saga que todos nós
amamos.
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Capítulos 
Se gostaram da Fic, divulguem para outros fãs da saga! Bjos, Grey!
Capítulo 10 – Migalhas
Eu parei um segundo, ouvindo, cheirando… Tudo parecia estar normal. A
antiga estrada que levava para a casa estava parcialmente invadida pela
vegetação. As copas das árvores se encontraram, transformando a estreita
passagem em um túnel que ocultava quase completamente o céu. O antigo
gramado – sempre regularmente aparado e livre de ervas daninhas – estava
imerso em um mar de samambaias e arbustos. Quando alcancei as escadas –
coberta de folhas e lama seca – e olhei através dos vidros empoeirados,
só consegui enxergar o vazio. Ninguém esteve ali. Não desde que nós nos
mudamos.
Jacob me seguia de perto, tão silenciosamente que ás vezes eu me
esquecia dele ali. Ninguém disse uma palavra. Estávamos checando o
local, inspirando o ar intensamente, em busca de cheiros desconhecidos.
Meus olhos vasculharam cada canto em meu campo de visão. Não havia nada
ali. Nenhum som, nenhum cheiro, nenhum rastro. Apenas a floresta
margeando o terreno e a brisa leve que agitava a vegetação rasteira a
nossa volta.
- Ness, não há nada aqui. – Jacob aproximou-se, a voz rouca quebrando o
silencio. Ele tinha razão, não fazia sentido ficar ali, contemplando a
casa vazia no meio da noite. Se alguém tivesse estado ali nos últimos
dias – e até meses – nós saberíamos. Jacob era muito bom em identificar
pistas, era algo natural nele, mesmo que meus sentidos aguçados
deixassem de registrar algo, ele teria notado. Mas, mesmo assim…
- Vamos entrar Jake. – Eu precisava verificar mais uma coisa. Avancei
pelo gramado espesso me deslocando suavemente pela relva que – em alguns
pontos – alcançava minha cintura. Enquanto avançávamos, cautelosamente,
senti uma ansiedade estranha se alojar em meu estômago. Era quase como
se eu soubesse o que estaria ali, alguns metros, dentro da casa – quase
como se tivesse certeza de que encontraria o que estava esperando. A
ansiedade fez meu coração acelerar, a cada passo martelando mais forte.
Senti a cicatriz em meu braço formigar, e lentamente uma queimação sutil
percorreu todo meu corpo. As imagens da visão na sala de aula inundaram
minha mente tão abruptamente, que por um segundo imaginei que estivesse
se repetindo. Cada passo mais próximo, minha mente trabalhava mais
rápido, e em conseqüência, meu corpo se acelerou. Meu coração deu uma
guinada, martelando ruidosamente em meu peito. Jacob parou, me encarou
por um instante, checando meu estado. Ele parecia preocupado e eu não
podia culpá-lo, seus ouvidos – tão sensíveis quanto os meus – captaram
meu súbito descontrole.
- Tudo bem aí Ness? – Resmungou ele, tentando disfarçar a ansiedade na
voz.
- Jake, não sei o que está acontecendo. – Falei antes que pudesse me
conter. Eu nunca tinha me sentido assim, nem mesmo quando – há sete anos
– estivemos cara a cara com o exército Volturi. Era como se minha parte
humana estivesse entrando em choque.
- Calma Ness, vamos voltar para La Push, você precisa dormir um pouco. –
Jacob se virou de frente para mim, impedindo minha passagem, desistindo
de sua tentativa de parecer displicente. Eu queria continuar, mas meus
pés não me obedeciam e meu corpo não queria resistir aos braços de
Jacob, estendidos protetoramente a minha volta, como se eu fosse desabar
a qualquer momento. Me perguntei que estado eu aparentava.
- Não Jake, eu… – Mas eu não consegui encontrar um sentido para terminar
a frase. A leve queimação em meu corpo se intensificava a cada minuto.
Senti meu coração pulsando nos ouvidos, me impedindo de ouvir o que
Jacob resmungava. Eu tive a nítida impressão de que aquela dor que se
espalhava silenciosa por meu corpo era um mau sinal. O veneno de meu pai
estava circulando por minhas veias, e eu não sabia ao certo como ele me
afetaria. Eu era meio vampira, mas metade de mim também carregava os
traços de humanidade, tão frágeis, tão intensos e mutáveis. Não haveria
como saber os efeitos do veneno em um mestiço, pelo menos, não em
mestiços de vampiro – como eu. Mas eu não podia me dar ao luxo de
ponderar muito sobre isso. Eu tinha algo mais importante em minhas mãos
no momento. Algo que nem eu mesma tinha certeza, mas que, obviamente,
implorava por minha atenção a cada noite mal dormida, e que muito
recentemente, mostrava-se em formas de surtos de descontrole. Inspirei o
ar até sentir meus pulmões cheios, reuni toda força que sobrara em minha
mente e me obriguei a continuar. Eu não voltaria para casa tendo menos
respostas – e mais perguntas – martelando em minha mente. Contornei a
enorme barreira de pele arruivada que se postava rigidamente em minha
frente e rumei apressada para a entrada da casa. Jacob concluiu enfim
que ele não conseguiria vencer minha convicção – ou minha teimosia – e
apenas me seguiu escada a cima. Quando forcei a maçaneta da porta,
descobri, por fim, que estava aberta. Lancei um olhar inquisitivo a
Jacob, que na mesma hora, se pôs em modo de alerta.
- Alice colocou as chaves da casa na mochila, Jake. O que significa que
estava trancada. – Sussurrei para ele. Jacob assentiu, suas narinas
dilatando para captar odores estranhos. Empurrei a porta lentamente, o
ar parado e frio de dentro da sala me alcançou. Inspirei e não senti
nada além do cheiro de mofo e poeira estagnados no ar. Avancei mais
alguns passos, sempre alerta a qualquer coisa que se movesse, ou que
cheirasse diferente. A escuridão não me atrapalhava em nada na inspeção
do ambiente, eu podia ver claramente cada móvel coberto por plásticos e
lençóis velhos, cada tapeçaria enrolada nos cantos da sala, podia ver a
teias de aranha envolvendo os lustres e a balaustrada da escada até o
andar superior. Mais alguns passos e eu poderia ver o piano. Quando o
localizei, junto à parede norte da sala, quase não o reconheci de
imediato. O piano de meu pai estava sempre em perfeito estado de
conservação, sempre imponente na grande sala branca, destacando-se em
seu pretume lustroso. Agora, estava coberto por uma grossa camada de pó
que o deixou acinzentado e de aparência decadente. Ouvi Jacob se
afastar, adentrando na parte oposta da sala, de onde se podia ver a sala
de jantar e a entrada da cozinha. Segui totalmente focada no que vim
averiguar, todo o resto transformando-se num borrão indistinto. Afinal,
eu sabia onde estava – onde supostamente deveria estar – o bilhete
endereçado a mim.
***
- Jake. – Foi tudo que consegui extrair de minha voz. Um sussurro fraco
e sufocado. Era tudo que eu podia fazer, enquanto sentia todo meu corpo
congelar. Apesar do choque, eu consegui identificar os sintomas: outra
visão. Não tão nítida como a primeira, mas decididamente uma visão. A
parte consciente de mim podia ouvir os passos apressados de Jacob, vindo
a meu encontro. Mas a maior parte estava tentando encontrar alguma
coesão nas imagens que explodiam em minha mente. Forcei toda minha
concentração naqueles flashes. E então eu pude entender o que
significavam – o que queriam me dizer. Eu vi uma floresta, densa e
iluminada. Não pude ver o céu, mas a luz que irrompia das árvores no
alto, era clara e forte – raios de sol demais para Forks em seu melhor
dia. O mais estranho na cena era o modo como eu a via, parecia mais uma
lembrança do que qualquer outra coisa, por que era através de meus olhos
que eu via a floresta, não havia mais ninguém ali. Poderia ser muito bem
apenas uma lembrança minha, correndo pela floresta num dia ensolarado.
Mas minha memória era tão boa quanto qualquer outra em nossa espécie,
praticamente impecável. E eu sabia – tinha certeza – que o que eu via,
não era uma lembrança minha. Ademais, olhando mais atentamente, eu pude
sentir a urgência nos passos da pessoa que corria, então eu soube.
Alguém estava fugindo.
As mão quentes de Jacob me alcançaram no canto escuro, encolhida junto
ao piano de meu pai. Eu pressionava minhas têmporas, tentando impedir
que elas explodissem. Os flashes difusos me chicoteavam com uma força
avassaladora. Eu não conseguia pensar, não conseguia encontrar uma saída
em minha própria mente. Sentia que a qualquer momento meu cérebro iria
rachar. De início não havia som, apenas imagens de lugares e pessoas que
eu nunca tinha visto. A imagem predominante era sempre a da floresta,
por onde alguém corria desesperada, fugindo de um atacante invisível.
Tentei escutar as vozes ao fundo, mas não consegui distinguir nenhum som
coeso. Então, tudo pareceu baixar o volume, ficando para traz e sumindo
em algum canto de minha mente. As imagens desbotaram, como se alguém
tivesse jogado água em uma tela fresca. Quando quase tudo havia
silenciado e as imagens se apagavam lentamente, uma única voz ressonou
em meus ouvidos, como se alguém sussurrasse para mim o que eu não
consegui enxergar. Zafrina.
Abri os olhos e me coloquei de pé num salto. Jacob estava sentado no
chão, a três metros de mim, os olhos arregalados. Sua postura era tão
estranha, que se eu não soubesse que Jacob era tão ágil quanto eu, eu
teria imaginado que ele simplesmente caiu de costas. Olhei-o mais
atentamente, queria contar tudo que tinha visto – e ouvido. Mas sua
expressão era tão chocada, que vacilei em minha aproximação. Ele devia
estar assustado, afinal, eu não parecia uma pessoa muito confiável
quando tinha aqueles ataques. Me aproximei lentamente com a mão
estendida para ele. Queria mostrar que estava tudo bem agora, mas nem
bem andei três passos e Jacob estava de pé, me encarando com um misto de
preocupação e entusiasmo. Me senti aliviada, por um momento pensei que
Jacob estava com medo de se aproximar de mim. Estendi minha mão até seu
rosto, queria mostrar a ele tudo que vi, mas antes de tocá-lo ele
segurou minha mão. Olhei atônita para ele, por que ele não me deixava
mostrá-lo o que aconteceu? Ele estava fugindo de meu toque pela primeira
vez na vida.
- Não precisa me mostrar Nessie, eu vi tudo. – Jacob me encarava sério.
Uma expressão insondável atravessou seu rosto. Será que as visões tinham
atingido ele também? O que estava acontecendo ali?
- Como? – Perguntei perplexa.
- Você me mostrou. – Jacob estendeu sua mão até meu rosto e o afagou,
suas mãos ainda estavam ligeiramente trêmulas. – Você me atirou no chão
quando tentei te ajudar, e antes que eu pudesse me levantar, você
começou a transferir seus pensamentos para mim. – Ele dizia cada palavra
com assombro e mágoa. – Por que não me contou que seus poderes estavam
se desenvolvendo? É por isso que você tem estado tão nervosa
ultimamente?
Eu o olhava com incredulidade, nada daquilo fazia sentido. Como eu
poderia ter desenvolvido meus poderes sem saber? Vampiros não mudam com
muita freqüência, mesmo eu, uma mestiça, depois de atingir o pleno
desenvolvimento, iria paralisar no tempo. Nossos poderes eram muito
aleatórios, imprecisos. Eram capazes de se desenvolver com os anos, mas
– como nós – mantinham-se estáveis depois de certo tempo. Mas que
certeza eu tinha? Pessoas como eu não eram muito comuns, mesmo no nosso
mundo.
- Jake, não pode ser. Não pode ter sido eu. Eu precisaria te tocar, não
sei como poderia te mostrar algo sem te tocar, eu… – As palavras sumiam
à medida que minha mente vagava pelas possibilidades. De fato, eu nunca
sentira nada tão forte. Quando tive a primeira visão, foi assustador e
intenso, nítido demais. Mas agora, eu sentia que minha mente tinha sido
espremida e depois esticada de forma que eu a sentia mais flexível – de
maneiras desconfortáveis e irregulares – mas depois da dor intensa,
apenas uma leveza que me era estranha tomou lugar em minha cabeça. Eu
realmente não sabia se Jacob tinha razão, ou se alguém estava
influenciando nossas mentes. O que poderia ser muito bem uma combinação
dos dois. Jacob estava absorto em suas próprias teorias quando o puxei
para fora da casa.
- O que foi Ness, onde você está indo? – Perguntou ele enquanto
corríamos de volta para a estrada encoberta pela vegetação.
- Precisamos entender um pouco isso certo? Mas vai amanhecer logo, Billy
vai se perguntar por onde nós andamos, e a última coisa de que preciso é
que ele ligue para Carlisle. – Eu não tinha muito tempo. Se eu não
voltasse com Jacob até o entardecer de domingo, minha mãe e meu pai
viriam atrás de mim.
Não havia bilhete, mas eu tinha algo mais concreto com que me preocupar.
Ao que tudo indicava, alguém estava deixando uma trilha de migalhas para
mim, e a próxima – eu ainda não fazia idéia do por que – me levava até
Zafrina.
Capítulo 10 – Migalhas - Rising Sun a Historia
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